Tratamento de Sementes

Entenda mais sobre o tratamento de sementes, sua importância e benefícios no controle de insetos e doenças.

Você sabia que o tratamento de sementes é uma prática de baixo custo e que ajuda a prevenir contra o ataque de pragas e doenças?

O tratamento de sementes é importante porque ajuda na proteção antes, durante e após a germinação e, é realizado com fungicidas e inseticidas.

Entretanto, outros produtos podem ser utilizados, como:

  • micronutrientes;
  • inoculantes;
  • protetores de herbicidas (Safeners ou antídotos).;
  • reguladores de crescimento;
  • revestimentos de sementes;
  • corantes.

O tratamento das sementes pode ser feito na fazenda ou na indústria e possui uma ótima relação custo x benefício.

De acordo com pesquisa feita pela Embrapa, o custo do tratamento de sementes com inseticidas e fungicidas representou na safra de 2018/2019, 1,48% do custo total de produção da soja.

Fonte: Agro Bayer.

Tratamento direto de sementes

O objetivo aqui é erradicar o patógeno associado à semente e/ou proteger contra os patógenos de solo durante a germinação, além de proteger contra patógenos da parte aérea no início do crescimento.

Com o tratamento de sementes também consegue-se manter a qualidade da semente durante o período de armazenamento.

Para o tratamento de sementes existem três métodos:

  • biológico;
  • físico;
  • químico.

Método biológico

O tratamento de sementes pelo método biológico é feito com organismos antagônicos.

Alguns patógenos de solo podem ser limitados ou impedidos de atuar durante o processo de germinação das sementes.

Alguns exemplos são os fungos dos gêneros:

  • Penicillium;
  • Gliocladium;
  • Chaetomium;
  • Trichoderma.

E as bactérias dos gêneros:

  • Streptomyces;
  • Pseudomonas;
  • Bacillus.

Tanto os fungos quanto as bactérias mencionadas acima têm demonstrado resultados promissores para o controle de alguns fungos patogênicos como:

  • Sclerotium;
  • Pythium;
  • Macrophomina;
  • Fusarium;
  • Rhizoctonia;
  • Helminthosporium.

Método físico

O método físico é realizado por termoterapia.

Com a termoterapia é possível eliminar patógenos do interior de sementes.

No processo de termoterapia para o tratamento de sementes, podem ser utilizadas três modalidades de calor, que são:

  • água quente;
  • calor seco (ar aquecido);
  • vapor d’água.

Termoterapia – água quente

É o método mais antigo.

É conhecido desde 1888, na Dinamarca, onde era utilizado para tratamento de sementes de aveia e cevada, para o controle do fungo Ustilago nuda e Ustilago avenae.

É a forma mais eficiente de transmitir calor para a semente.

O processo neste caso acontece com expulsão do ar dos espaços entre as camadas protetoras da semente.

A água penetra no interior da semente, levando junto a energia calórica.

Desvantagem: pode causar danos nas sementes.

O pré-aquecimento e embebição da semente pode aumentar a eficácia da termoterapia com água quente.

Termoterapia – calor seco (ar aquecido)

É pouco utilizado no tratamento de sementes.

Isso porque neste caso a energia calórica tem que mover-se sozinha dos tecidos externos para os internos da semente.

Na maioria das sementes, os tecidos possuem baixa condutividade térmica.

Assim, é um método com eficácia menor que o método com água quente.

Termoterapia – vapor d’água

Neste processo as sementes absorvem a água de forma mais rápida e profunda da energia calórica nos tecidos.

Dessa forma ocorre menor perda de materiais solúveis pela lixiviação.

Fatores que afetam o tratamento térmico das sementes

Alguns fatores podem afetar o desempenho do tratamento térmico como:

  • teor de água na semente;
  • idade da semente;
  • vigor da semente;
  • dormência;
  • condições ambientais durante a maturação da semente;
  • condições físicas das camadas externas da semente;
  • diferenças entre as variedades;
  • tipo de propágulo;
  • qual o patógeno a ser controlado.

Desvantagens da termoterapia

Alguns pontos precisam ser considerados antes da escolha do método de termoterapia como:

  • você vai precisar de equipamentos de maior precisão;
  • é preciso secar as sementes após o tratamento;
  • é um método restrito a pequenas quantidades de sementes;
  • pouco eficiente em proteger contra patógenos de solo.

Tratamento químico das sementes

Com o tratamento químico das sementes é possível controlar fitopatógenos de sementes, no solo e até mesmo na parte aérea das plantas.

Uma vantagem deste método é que pode ser realizado independente das condições climáticas, pois os produtos podem ser manipulados em ambiente protegido ou no ambiente controlado.

Neste método são utilizadas pequenas quantidades de produtos por unidade de área, além disso é de baixo custo e de fácil execução.

É um procedimento feito mais para o controle de fungos do que de bactérias e nematoides.

Os produtos utilizados são formulados em pó seco, pó molhável ou emulsão.

Características dos produtos utilizados no tratamento de sementes

Algumas características que estes produtos devem ter são:

  • precisa ser tóxico ao patógeno e não a planta;
  • atóxico aos humanos e animais;
  • não acumulável no solo;
  • baixo custo;
  • não explosivo;
  • não corrosivo;
  • fácil obtenção;
  • não ser afetado por temperaturas extremas;
  • deve ser capaz de armazená-lo sem deterioração;
  • compatibilidade com outros produtos;
  • capacidade de cobertura e aderência.

Nesta última característica, o produto precisa ter uma boa cobertura e uma boa aderência sem causar restrições à fluidez das sementes.

No caso da compatibilidade, é importante que possa ser aplicado com outros produtos como inseticidas ou micronutrientes, e também com os inoculantes utilizados nas culturas leguminosas. Portanto, ele não pode causar danos ao Rhizobium.

Quais pragas podem ser controladas com o tratamento de sementes?

Algumas pragas de grande importância nas culturas do milho, da soja e do algodão que podem ser controladas com o tratamento de sementes são:

  • Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis);
  • Lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus);
  • Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda);
  • Helicoverpa (Helicoverpa ).

 

Já, entre as doenças, o tratamento de sementes vai proteger contra as doenças transmitidas via sementes, doenças dos grãos armazenados e as causadas pelos fungos de solo.

Dentre as doenças transmitidas via sementes temos os fungos dos gêneros Cercospora spp., Fusarium spp. e Colletotrichum spp.

No caso das doenças de grãos armazenados temos os fungos dos gêneros Penicillium spp. e Aspergillus spp.

E, as causadas por fungos que já estão presentes no solo temos as espécies dos gêneros Rhizoctonia spp. e Pythium spp.

Fonte: CropLife.

 

Quais são os produtos utilizados no tratamento de sementes?

Os fungicidas usados atualmente podem ser classificados em protetores e sistêmicos.

Fungicidas protetores: tem mais produtos, inclui produtos de amplo espectro de ação.

Exemplos de produtos:

  • Thiram: ditiocarbamato – usado contra Pythium, Phoma, Rhizoctonia e Phytophthora.
  • Captan: dicarboximida;
  • Quintozene: nitrobenzeno – utilizado para controle de fungos de solo, principalmente os que produzem escleródios, entre eles Rhizoctonia e Sclerotium.

Os produtos acima tem como objetivo a proteção das sementes no solo contra patógenos que causam o tombamento e podridão de raízes durante a germinação.

Outros produtos que podemos citar são: Mancozeb, Terrazole, Iprodione, Fenaminoculf, Guazatine, TCMTB e Procymidone.

Fungicidas sistêmicos: menor quantidade de produtos, ação mais específica.

Exemplos de produtos sistêmicos:

  • Oxatiins: Carboxin;
  • Benzimidazóis: Benomyl, Carbendazin, Fuberidazole, Tiofanato Metílico, Thiabendazole;
  • Triazóis: Triadimenol, Chloronebe, Nuarimol, Ethirimol, Metalaxyl, Phrochloraz e Imazalil.

Fonte: Pioneer.

Tipos de tratamento de sementes

Entre os tipos de tratamentos de sementes são tem-se:

  • uso de químicos através do molhamento da semente: pequenas quantidades do ingrediente, possuem uma seletividade extremamente alta, são tóxicos para o organismo alvo (bactérias, fungos, nematoides) sem prejudicar o desenvolvimento da cultura;
  • peliculização: película de recobrimento, facilita processo de semeadura;
  • inoculação;
  • peletização: usado para olerícolas, facilita a semeadura pelo aumento do tamanho da semente e formato arredondado;
  • aplicação de bioestimulantes.

Conclusão

No texto de hoje você aprendeu mais sobre a importância do tratamento de sementes.

Trouxe para você produtos utilizados para o controle de pragas e doenças no tratamento de sementes.

Vimos também opções de tratamento de sementes pelos métodos químico, biológico e físico.

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre tratamento de sementes? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Giraldeli. Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar), Doutora em Fitotecnia (USP) e especialista em Agronegócios. Atualmente Professora da Colaboradora na UEL.

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