Tecnologias transgênicas na cultura da soja

Tolerância a herbicidas, à seca, resistência a insetos: saiba quais as tecnologias transgênicas disponíveis no mercado para a cultura da soja. 

No texto de hoje vamos ver quais as tecnologias que temos para a cultura da soja, que podem auxiliar na hora da condução da lavoura. O controle ineficaz de pragas, doenças e plantas daninhas reduzem a produtividade da soja, e consequentemente isso impacta no preço dos alimentos.

Fonte: Crop Life.

E, para ajudar a garantir a produtividade das lavouras, algumas tecnologias transgênicas estão disponíveis no mercado.

Você sabia que todas as plantas transgênicas precisam ser analisadas quanto à biossegurança antes de serem aprovadas para uso?

No Brasil, o responsável por analisar e aprovar estas novas tecnologias é a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

A CTNBio faz a avaliação, caso a caso, de cada organismo geneticamente modificado (OGM).

Estas avaliações e análises seguem o que é estabelecido pela Lei de biossegurança (Lei 11.105/05).

A primeira autorização para cultivo de transgênicos no Brasil foi em outubro de 1998, com a soja transgênica tolerante ao glyphosate.

Até 2020 foram 128 aprovações de produtos transgênicos no Brasil relacionados a plantas, vacinas, microrganismos, medicamentos e insetos.

Destas 128 aprovações, 59,9% são referentes a plantas geneticamente modificadas aprovadas e liberadas para plantio em escala comercial.

Dentre os produtos aprovados, temos eventos de soja, milho, algodão, feijão, eucalipto e cana-de-açúcar, com características como:

  • Tolerância a diferentes herbicidas;
  • Resistência a diferentes insetos;
  • Resistência a vírus;
  • Tolerância a seca;
  • Qualidade de óleo melhorada;
  • Aumento na produção de celulose;
  • Restauração de fertilidade.

No texto de hoje, vou mostrar para você mais sobre as tecnologias aprovadas na cultura da soja.

Quais são as tecnologias transgênicas aprovadas na cultura da soja?

Hoje, temos no Brasil 19 eventos transgênicos aprovados na cultura da soja, relacionados a:

  • tolerância ao herbicida glufosinate;
  • tolerância aos herbicidas do grupo químico das imidazolinonas;
  • tolerância aos herbicidas glufosinate, 2,4-D e glyphosate;
  • tolerância aos herbicidas glufosinate e 2,4-D;
  • tolerância ao herbicida glufosinate e resistência aos lepidópteros;
  • tolerância aos herbicidas glufosinate, glyphosate, 2,4-D e resistência aos lepidópteros;
  • tolerância aos herbicidas do grupo químico das sulfoniluréias e perfil de ácidos graxos modificado;
  • tolerância aos herbicidas do grupo químico das sulfoniluréias, glyphosate e perfil de ácidos graxos modificado;
  • tolerância aos herbicidas glyphosate e isoxaflutole;
  • tolerância aos herbicidas glyphosate, isoxaflutole e glufosinate;
  • tolerância ao herbicida glyphosate;
  • tolerância a seca;
  • tolerância a seca e ao herbicida glyphosate;
  • tolerância ao herbicida glyphosate e resistência aos lepidópteros;
  • tolerância aos herbicidas glyphosate e dicamba;
  • resistência a lepidópteros;
  • tolerância aos herbicidas glyphosate, dicamba e resistência a lepidópteros.

Agora que você viu todos os eventos aprovados, vou detalhar um pouco mais sobre cada um deles.

Soja tolerante ao herbicida glufosinate

Eventos registrados: A2704-12 e A5547-127.

Marca comercial: Liberty Link® (LL).

Empresa: Bayer.

Gene: pat.

Espécie doadora: Streptomyces viridochromogenes.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2010.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2010.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2010.

Soja tolerante a herbicidas do grupo das imidazolinonas

Evento registrado: CV127.

Marca comercial: Cultivance (CV).

Empresa: Basf.

Gene: csr1-2.

Espécie doadora: Arabidopsis thaliana.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2009.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2009.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2009.

Soja tolerante aos herbicidas 2,4-D, glufosinate e glyphosate

Evento registrado: DAS44406-6.

Marca comercial: Enlist E3™ (E3) (E).

Empresa: Dow.

Genes: aad-12, pat e 2mepsps.

Espécies doadoras: Delftia acidovorans, Streptomyces viridochromogenes e Zea mays.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2015.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2015.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2015.

Soja tolerante aos herbicidas 2,4-D e glufosinate

Evento registrado: DAS68416-4.

Marca comercial: Enlist™.

Empresa: Dow.

Genes: aad-12 e pat.

Espécies doadoras: Delftia acidovorans e Streptomyces viridochromogenes.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2015.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2015.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2015.

Soja tolerante ao herbicida glufosinate e resistente a lepidópteros

Evento registrado: DAS81419.

Marca comercial: Conkesta™.

Empresa: Dow.

Genes: cry1Ac, cry1F e pat.

Espécies doadoras: Bacillus thuringiensis e Streptomyces viridochromogenes.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2016.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2016.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2016.

Fonte: Crop Life.

 

Soja tolerante aos herbicidas glufosinate, 2,4-D, glyphosate e resistente a lepidópteros

Evento registrado: DAS81419 x DAS44406.

Marca comercial: Conkesta Enlist E3™ (CE).

Empresa: Dow.

Genes: aad-12, pat, 2mepsps, cry1Ac e cry1F.

Espécies doadoras: Delftia acidovorans, Streptomyces viridochromogenes, Zea mays e Bacillus thuringiensis.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2017.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2017.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2017.

Soja tolerante a herbicidas das sulfoniluréias e com perfil de ácidos graxos modificado

Evento registrado: DP305423.

Marca comercial: Treus™ (Plenish™).

Empresa: DuPont Pioneer.

Genes: gm-fad2-1 e gm-hra (gene marcador de seleção que confere tolerância às sulfoniluréias).

Espécie doadora: Glycine max.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: ainda não liberada.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2018.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2018.

Soja tolerante a herbicidas das sulfoniluréias, glyphosate e com perfil de ácidos graxos modificado

Evento registrado: DP305423 x GTS 40-3-2.

Marca comercial: Plenish™ RR.

Empresa: DuPont Pioneer.

Genes: gm-fad2-1, gm-hra e cp4epsps.

Espécies doadoras: Glycine max e Agrobacterium tumefaciens.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: ainda não liberada.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2018.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2018.

Soja tolerante aos herbicidas glyphosate e isoxaflutole

Evento registrado: FG72 (FGØ72-2, FGØ72-3).

Empresa: Bayer.

Genes: 2mepsps e hppdPFW336.

Espécies doadoras: Zea mays e Pseudomonas fluorescens.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2015.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2015.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2015.

Soja tolerante aos herbicidas glyphosate, isoxaflutole e glufosinate

Evento registrado: FG72 x A55547-I27.

Marca comercial: Liberty Link® GT27™ (LLGT27)

Empresa: Bayer.

Genes: 2mepsps, hppdPFW336 e pat.

Espécies doadoras: Zea mays, Pseudomonas fluorescens e Streptomyces viridochromogenes.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2015.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2015.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2015.

Soja tolerante ao herbicida glyphosate

Evento registrado: GTS 40-3-2 (40-3-2).

Marca comercial: Roundup Ready™ (RR).

Empresa: Monsanto.

Gene: cp4-epsps.

Espécie doadora: Agrobacterium tumefaciens.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 1998.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 1998.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 1998.

Soja tolerante a seca

Evento registrado: HB4.

Marca comercial: Verdeca HB4.

Empresa: Verdeca.

Gene: Hahb-4.

Espécie doadora: Helianthus annuus.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2019.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2019.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2019.

Soja tolerante a seca e ao glyphosate

Evento registrado: HB4 x GTS 40-3-2.

Empresa: Indear.

Genes: Hahb-4 e cp4epsps.

Espécies doadoras: Helianthus annuus e Agrobacterium tumefaciens.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2019.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2019.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2019.

Soja tolerante ao glyphosate e resistente a lepidópteros

Evento registrado: MON87701 x MON89788.

Marca comercial: Intacta™ Roundup Ready™ 2 Pro (IPRO) (RR2).

Empresa: Monsanto.

Genes: cp4epsps e cry1Ac.

Espécies doadoras: Agrobacterium tumefaciens e Bacillus thuringiensis.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2010.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2010.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2010.

Soja tolerante aos herbicidas glyphosate e dicamba

Eventos registrados: MON87708 e MON87708 x MON89788.

Marca comercial: Roundup Ready™ 2 Xtend™ (XTD).

Empresa: Monsanto.

Genes: cp4epsps e dmo.

Espécies doadoras: Agrobacterium tumefaciens e Stenotrophomonas maltophilia.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2016 e 2017.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2016 e 2017.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2016 e 2017.

Soja resistente a lepidópteros

Evento registrado: MON87751.

Empresa: Monsanto.

Genes: cry1A.105 e cry2Ab2.

Espécie doadora: Bacillus thuringiensis.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2017.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2017.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2017.

Fonte: Agroconsult.

Soja resistente a lepidópteros e tolerante aos herbicidas dicamba e glyphosate

Evento registrado: MON87751 x MON87708 x MON87701 x MON89788.

Marca comercial: Intacta™ Roundup Ready™ 2 Xtend™ (I2X).

Empresa: Monsanto.

Genes: cp4epsps, dmo, cry1A.105, cry2Ab2 e cry1Ac.

Espécies doadoras: Agrobacterium tumefaciens, Stenotrophomonas maltophilia e Bacillus thuringiensis.

Ano de liberação para o plantio no Brasil: 2018.

Ano de liberação para o consumo animal no Brasil: 2018.

Ano de liberação para o consumo humano no Brasil: 2018.

Boas práticas agrícolas para o uso de tecnologias

As tecnologias transgênicas na cultura da soja nos ajudam a manejar as pragas e as plantas daninhas, mas para isso também temos que realizar as boas práticas agrícolas por meio do manejo integrado.

Algumas estratégias de boas práticas agrícolas que incorporem o manejo integrado de pragas e de plantas daninhas são:

  • rotação de culturas;
  • limpeza de maquinários;
  • inseticidas em pré-plantio;
  • dessecação pré-plantio;
  • herbicidas em pré-emergência;
  • manejo de plantas daninhas na entressafra;
  • limpeza de carreadores e canais de irrigação;
  • tratamento de sementes;
  • rotação de mecanismos de ação de inseticidas e de herbicidas;
  • não deixar a área em pousio;
  • consórcio de culturas;
  • uso de produtos seletivos aos inimigos naturais;
  • adubação verde;
  • instalação de área de refúgio;
  • plantio no limpo (sem a presença de plantas daninhas).

Conclusão

No texto de hoje você aprendeu mais sobre as tecnologias transgênicas em soja.

Em sua maioria temos tecnologias de resistência a insetos e tolerância a herbicidas que ajudam a garantir a produtividade da lavoura.

Importante lembrar que todo uso de tecnologia deve levar em consideração os problemas que você precisa solucionar na sua lavoura e, também fazer o uso de boas práticas agrícolas para preservar essas importantes ferramentas que temos à disposição para o manejo das propriedades.

Gostou do texto? Tem mais dicas sobre tecnologias transgênicas em soja? Adoraria ver o seu comentário abaixo!

Sobre a Autora: Ana Ligia Giraldeli. Engenheira Agrônoma formada na UFSCar. Mestra em Agricultura e Ambiente (UFSCar), Doutora em Fitotecnia (USP) e especialista em Agronegócios. Atualmente Professora da Colaboradora na UEL.

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